Eu tinha acabado de me apaixonar perdidamente por e pela a poesia, quando vi o filme no clube de cinema da Escola C+S Fernando Pessoa, que hoje tem o meu aspecto, amanhã, o meu futuro. Estavamos, talvez, em 91 ou 92.
Pareceu-me mais do que uma coincidência; era um acto divino do universo!
A mais bela mulher do mundo estava sentada atrás de mim, aos beijos a alguém que tinha tudo o que eu não tinha ( como eu te entendo NUWANDA).
Já estava a estudar a minha saída, quando resolvi ficar. Estoicamente impotente e o coração pesado como uma bigorna, vi o filme que me ajudou a fugir dali e fui para muito, muito longe.
Fui todos os personagens do clube dos poetas mortos e mais um (aquele que só eu saberia interpretar). Ninguém naquela sala compreendeu tão bem o Neil Perry como eu.
Uns anos mais tarde eu estava na sua pele inteiramente, e quando digo isto, digo, exactamente a mesma situação. Muito estranho...como se eu voluntariamente e ao mesmo tempo inconscientemente quisesse seguir o Neil . Optei pela autodestruição em vez do suicídio. Uma longa via dolorosa de e por paixões, entre fantasmas, mortos-vivos mentiras e dor.
Saltar os muros do paraíso, é só para os que se atrevem a não ter nada a perder. É uma liberdade com sabor amargo.
A poesia, essa, ficou até hoje. E posso grantir que me salvou muitas vezes de mim mesmo e dos demais.
Pintei o Neil
Tinta acrílica sobre papel. 2025

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