segunda-feira, 31 de agosto de 2026

AGOSTO


Minha querida,
A palavra mais gentil e afável que eu posso dizer, é que sobrevivi.
Por enquanto...


sábado, 29 de agosto de 2026

AOS PRÍNCIPES

A morte na água; a morte na terra; a morte no telefone inteligente; a morte na floresta; a morte na indústria; a morte no crescimento económico; a morte no pib; a morte nos cancelamentos; a morte no fascismo americano; a morte no fascismo de franchising europeu; a morte nos fármacos; a morte no culto da juventude; a morte na moda; a morte na produtividade; a morte nos banqueiros; a morte nos salários; a morte nas fronteiras; a morte do imigrante; a morte nos campos de refugiados; a morte na inteligência artificial; a morte no soldado; a morte na polícia; a morte nos hospitais privados; a morte na escola privada; a morte na creche privada; a morte na política; a morte do Tom; a morte do Jerry; a morte do jornalismo; a morte nos patriotismos; a morte nos nacionalismos; a morte na religião; a morte nos autoritarismos; a morte das estações; a morte nas lives; a morte nas redes sociais; a morte na selfie filtrada; a morte na vaidade; a morte nos orgulhos sexuais e étnicos; a morte nos cafés; a morte na hipoteca; a morte nas rendas; a morte dos bairros populares; a morte do centro das vilas e cidades; a morte nos comentários; a morte nos currículos; a morte nos diplomas; a morte no luxo; a morte na ostentação; a morte no trabalho; a morte no banco de horas; a morte nos casamentos; a morte nos low cost; a morte na inconsciência de classe; a morte nas apostas; a morte nas raspadinhas; a morte nas percepções; a morte nas sondagens; a morte nas bandeiras; a morte no sexo; a morte nas aplicações; a morte no capital nuvem; a morte nos consentimentos; a morte nas operações plásticas; a morte no pudor; a morte na moral; a morte na moda; a morte nos termos e condições; a morte nas invejas; a morte na ganância; a morte no défice; a morte na dívida; a morte na austeridade; a morte no capitalismo; a morte no turismo; a morte nos jogos online; a morte da infância; a morte da juventude; a morte nas urnas de voto; a morte nas bebidas energéticas; a morte nos ginásios; a morte nas armas; a morte no amor; a morte nas ejaculações; a morte nos orgasmos fingidos; a morte nas corrupções e nos corrptores; a morte na caridade; a morte na selectiva adulação dos animais domésticos de raça; a morte no respeitinho; a morte no carinho; a morte na vingança; a morte nos objectivos; a morte nas crianças planeadas; a morte nos campos de petróleo; a morte nas baterias; a morte nas pedras preciosas, abacates, cacau,  e bananas; a morte no natal e na páscoa; a morte nos carros; a morte nos aviões, a morte nos bilionários, a morte na exclusividade; a morte na competitividade; a morte nas criptos; a morte no e-comercio; a morte na primeira classe; a morte nas seguradoras; a morte nas igrejas; a morte nas mesquitas, a morte nas sinagogas, a morte nos nos templos; a morte nas ambições; a morte nos paraísos fiscais; a morte nas prisões; a morte na justiça; a morte nos drones; a morte nos cruzeiros; a morte na pobreza; a morte da poesia. 

ÀS ARMAS!

Às armas povo cansado arrendado, drogado embebedado hipotecado endividado e prostituído!

ÀS ARMAS!

Paus pedras facas navalhas lâminas garrafas panelas pneus pistolas bombas paralelos pás forquilhas isqueiros fisgas fundas e livros POESIA

Ergue-te juventude! Que deverias estar a roubar o fogo dos deuses.

Eternos principezinhos de papel e lápis na mão...

OU PODES IR-TE FODER.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

NEPAL

Lamentávelmente não foi na Suíça, onde fazem referendos xenófobos e racistas para limitar a população a 10 milhões ( referendo que quase-quase ganha ( não ganhou por causa do perigo para a economia). Que diriam os mercados?

Com sorte morriam uns 300 mil. É um bom número, eu acho.

Pena não se fazerem referendos para provovar catástrofes naturais.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

L' amour! Bonne chance...

 Um vendaval no convés do Vendaval.

Numa noite sem brisa. Eu só via o teu semblante e tu só as estrelas do céu.

Morremos cem vezes numa noite no Vendaval.

Renascidos, só nos tínhamos a nós mesmos.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Um dia da vida

 Hordas de pândegos e de bacãs ostentando tatuagens de bestialidades idiotas. Hordas de stressados, ansiosos e obcecados pelo inferno dos outros, sempre pior que o deles. Todos abonados em redes onde destilam a sua vaidade, cupidez,  ódio, solidão, ignorância,xenofobia, ganância, misoginia, homofobia ou orgulhos etnicos-masturbatórios e religiosos. Acabam todos a dissolver a dor com um droga qualquer cozinhada num laboratório ou de numa cozinha qualquer, assistindo a um porno onde se estrangula e sodomiza uma miúda com consentimento.

Os lábios das pessoas mexem-se mas eu já não consigo ouvir o que dizem.

-Desenhem-me um carneirinho...

O meu mijo é da cor da Coca-Cola que bebi.

Será um truque de marketing?

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 Nasci prematuro. Mas foi a única vez na minha vida que estive à frente dos outros.

Nunca gostei de corridas...nem de sandálias.


sábado, 22 de agosto de 2026

 


Naufraguei bem mais morto que vivo.

E do meu barco retirei todos os cadáveres da minha vida. Muitos estão vivos. Enterrei-os vivos assim mesmo e nem um queixume ouvi - chorei muito por isso - não por eles, não mais por eles.

Fiz um cemitério; é o meu jardim.

Nem rezas, nem choro nem terra sagrada. Uma vala comum. Um buraco onde mijei depois de cobrir de terra perfumada.

O meu barco repousa na praia, todo ele farrapos.

Só preciso que ele volte a flutuar. 

A viagem já não será grande e não tenho grandes víveres porque a ilha é seca e a pouca água que há já sabe a carne potrefacta.

Vou voltar ao mar, que afinal é a minha casa. Um deserto de areia líquida e salgada.

Depois, bem mais morto que vivo, acendo uma fogueira que ninguém verá.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

TRINTA

 Foi a noite em que o desejo desfraldou as velas dos nossos corpos e nos fizemos ao mar. Fantasmas e esperança.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ECLIPSADO

Eu vou olhar para o sol directamente.

Que se foda se ficar cego.

À merda que eu vejo todos dias....

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

À NOITE

 Dias que não passam de sombras das noites e silêncios que ressoam na alma como um grito; quando as pálpebras mareadas de água salgada, já não têm a força das tempestades; quando, levado pelas ondas das marés, já não vejo o abrigo das margens. 

Amores que nasceram em estações erradas; quando a primavera demorou a abrir seus brotos com luas sempre cheias que já não me sorriem. Jogar xadrez quando a rainha se perdeu.

Como tudo é escuro; como te dizer que tudo é escuro? Como tenho medo e como tenho frio. Como te dizer? Como te dizer, diz-me, como te dizer?

As minhas certezas que não passam de sombras da dúvida. O bem que faz mal quando o mal nos enfeitiça; quando, no coração da íris, chega o tempo das monções que vem afogar o trigo pouco antes da colheita.

Nos descaminhos do tempo, sei que te perdi e tu disses-te cem vezes que não voltarias, para eu te deixar ir.

Então posso partir como um lobo solitário, que, ferido, vai morrer aninhado a uma faia. 

Eu queria que esse ser fosse tu. Queria, contigo, ser outro além de mim e no fundo do teu ventre, fazer a terra mais bela. Esquecer quem sou e fechar as pálpebras num último suspiro.

Como tudo é escuro; como te dizer que tudo é escuro? Como tenho medo e como tenho frio. Como te dizer? Como te dizer, diz-me, como te dizer?

 Quando se está tão só que até a solidão parece uma amiga de quem não se pode abdicar. Aquela que... esteve sempre aqui, desde o primeiro suspiro.

Quando já não me lembro que um dia soube rir; quando a dor escolheu minha alma como seu império. Quando todos os angustiados e vencidos do mundo escolheram o meu coração para chorar. 

Como tudo é escuro; como te dizer que tudo é escuro? Como tenho medo e como tenho frio. Como te dizer? Como te dizer, diz-me, como te dizer?

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

5

Quando eu sair, prometo-te que vou fechar a porta e trancá-la.

Como tu gostas.

domingo, 2 de agosto de 2026

AQUILO

 O grande drama, nunca foi e nunca será, não ter conseguido o que se compra com o dinheiro; é não ter conseguido aquilo que não custa dinheiro nenhum.
Num Mundo onde tudo tem um preço e nada tem valor.