Não, não vou falar da excelente música dos System Of a Down (ou se calhar, vou) mas com estas sentenças , estas detenções e julgamentos polémicos que ultimamente inundam os noticiários, tenho andado a lembrar-me dela (da música), e tenho dado comigo a refletir profundamente em crime, castigo e justiça e também ajuda muito ter lido tanto o Dostoevsky.
Estou profundamente convencido que todos os crimes são uma resposta directa ou o sintoma de alguma qualquer doença da sociedade. Todos eles, mesmo aqueles crimes que são cometidos por alguém com problemas psiquiátricos graves, normalmente encontramos na raiz desses problemas, infâncias, adolescências cheias de abusos físicos, verbais, sexuais ou todos ao mesmo tempo acompanhadas por dramáticas experiências. Sempre causadas por uma qualquer disfunção da família, comunidade ou sociedade.
Sentença dada, castigo dado, e toda a gente se afasta volta à sua vida, limpando os lábios de sangue, saciada ou não a sede de justiça. Prisão. Em alguns casos morte depois da prisão.
As causas "da doença" não parecem ser importantes. Se pensarmos bem, somos todos candidatos a um dia acabarmos numa prisão, porque mesmo que milagrosamente consigamos "fintar" essas doenças da sociedade, por vezes somos contagiados pelos portadores dessa doença. Posso dar um exemplo: um conhecido meu, foi há uns anos atrás fiscal da extinta Direção Geral da Economia. No tempo que trabalhei junto dele (menos de uma ano) ele foi umas quatro ou cinco vezes ao tribunal de Aveiro no âmbito do caso "face oculta". Ele não era corrupto, mas o companheiro fiscal que andava com ele todos os dias recebia grandes quantias de dinheiro do sucateiro. Não faltou muito para ser um dos arguidos e acabar na prisão.
O que leva alguém a querer tanto dinheiro? O que leva um ex-primeiro ministro a fantasiar com luxos? Qualquer um adoraria viver numa casa no 16em arrondissement de Paris e estudar na Sorbonne? Ou o que leva alguém que já é rico, pegar em dinheiro num banco público, que um dia terá de ser reposto por gente pobre, para poder controlar uma banco privado e ser ainda mais rico? Assim como as pessoas que estavam à frente desse banco público e fizeram vista grossa às garantias de pagamento dessa dívida, apenas para poderem mais tarde se sentarem nos conselhos de administração do outro banco, com ordenados simplesmente absurdos?
Não será porque vivemos numa sociedade consumista, que valoriza mais a ostentação que as virtudes? Isso é uma doença grave da sociedade.
Quando um homem mata alguém só porque não gosta da raça da vítima, não será uma doença da sociedade? Tão frequentemente passada de geração em geração por família, amigos.
Quando um homem mata uma mulher por ciúmes, ou porque sente que pode e deve, que tem de ser ele o macho alfa da relação, aquele pode e deve trair, mas não pode ser traído, não será uma doença da nossa sociedade? Aquela que nos dada desde pequenos, e que nos diz é o homem "é o chefe de família", aquele que veste as calças, aquele que não faz as compras da mercearia mas que toma as grandes decisões? Não admite que a mulher trabalhe (era o que faltava ela não precisar de pedir dinheiro). Alguns deste exemplos estão talvez um pouco gastos, mas ainda estão bem presentes.
Eu cá pensei em todos os crimes possíveis e encontrei sempre uma doença de todos. E sinceramente não entendo como é que a prisão resolve. Colocar os doentes em quarentenas de meses, anos ou décadas, nada ou quase nada faz para curar essas doenças. Os EUA, o maior presídio do mundo, são um claro exemplo disso.
Isto já vai longo e uma outra doença da sociedade é aquela que não gosta de ler textos longos. Fiquem lá com a músicazinha que eu tenho andado a cantar. AI BAI MAI CRAKE MAI SMAKE MAI BITECHE RAITE IR IN OLIOUDEEEEE!!!!
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