sexta-feira, 6 de novembro de 2026

SERVIDA QUENTE. Um conto qualquer .

Todas as manhãs, Carla entra na padaria que fica na esquina da Rua D. João II com a Rua Fernando Pessoa.

Carla pousa a bolsa sobre a prateleira de bolos, inclina o corpo sobre o balcão denunciando o decote generoso e sugestivo, pede um leite achocolatado para levar, sorrindo ao empregado de olhos verdes.

Ela recusa-se a pedir um Ucal: gosta mesmo é de falar “a-cho-co-la-ta-do”, com todo o chiado que a sua pretensiosidade suburbana lhe permite.

A Leonor, que toma conta da caixa, morre de ciúmes e jura de pés juntos que a cliente está a fazer-se ao empregado.

Nas a verdade é outra: o tesão de Carla é segurar aquele copo quente enquanto espera o 79 e o dia em que terá a coragem de derramá-lo sobre a condutora do autocarro, que ousou spoilar um episódio de Game of Thrones, há alguns anos atrás

Sim, ela é vingativa, mas também é meio cagona.

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